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o parto

 
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Autor Mensagem
AlexandraEgas



Registo: 22 Mai 2008
Mensagens: 10

MensagemColocada: Dom Jun 08, 2008 10:03 pm    Assunto: o parto Responder com Citação

Olá a todas! Gostei muito das opiniões que foram escritas e decidi dar também o meu testemunho. Fui mãe há pouco tempo (4 meses)e na zona onde eu vivo(trás-os-montes) os partos são todos iguais, no hospital e na sala de partos deitadas numa marquesa. Comecei desde cedo (32 semanas de gestação) a frequentar as aulas de preparação para o parto ministradas por ma Emfermeira no centro de saúde que nos incentivou a termos um parto normal sem anestesias. Depois desta formação eu estava pronta para tudo. Comecei a ter contrações durante a noite, de manhã foram aumentando às duas da tarde começaram ater intervalos de 3 minutos. Fiz a respiração (tipo 1) e mantive-me em casa.Eram 15:30h tomei um banho de imersão durante 20 minutos, vesti-me e deitei-me no sofá. Ás 16:30h rebentou o saco amniótico, telefonei à ambulancia. Fui na Ambulancia e cheguei à maternidade ás 17:20. quando cheguei pedi a epidural mas já não era possivel. A minha filha nasceu ás 17:50. fiquei contente por não ter levado epidural e não achei que o parto em si fosse assim tão doloroso como algumas pessoas dizem (que Deus te dé uma hora pequena... dizem). Penso que há partos e partos mas devemos fazer os possiveis para que tudo seja o mais natural possivel (apesar de não termos todo o control sobre a situação). Devemos pensar no que é melhor para o nosso filho, não há nada como a mãe estar consciente e ajudar o seu filho a nascer. Acho que o ir a corre para o hospital após as primeiras contrações é um erro, sempre é melhor estar em nossa casa, com a nossa familia e ir no tempo certo. bjs para todas.
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Seg Jun 09, 2008 1:23 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá!
Pois a mim todas as mães com experiência me diziam para fazer como tu fizestes, ir mesmo para o hospital só quando tivesse que ser, adiar a ida enquanto se pudesse. E acho que é uma excelente estratégia. Só que o meu médico quis por força provocar o parto (tinha 40 semanas e 5 dias de gestação). E segundo dizem as dores da oxitocina da indução (puseram-me a soro) são bem piores que quando o parto decorre de forma natural. Fiquei naquela que para a próxima tento esperar mais tempo a vêr se o bébe toma iniciativa de nascer sózinho, só a questão do nó no cordão umbilical me deixa a pensar se isso será mesmo desejável.
Já agora gostava de fazer uma pergunta, pode ser que alguém me saiba responder, até quanto tempo pode demorar a expulsão depois da dilatação estar completa?
É que cá deixam tentar durante no máximo uns 25 minutos, se não se consegue expulsar o bébe partem logo ou para a cesariana ou para os fórceps. Ora li num fórum espanhol que é normal a expulsão poder demorar até 2 horas ou mais. Isso não poderá prejudicar o bébe? Cá deram-me a entender que sim. Conheço imensos casos em que o bébe estava com a cabeça sem ser na posiçaõ ideal para expuilsão e como o médico não conseguiu rodas a cabeça e não foi feita a expulsão em meia hora passaram à cesariana.
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Elisa Santos



Registo: 28 Ago 2007
Mensagens: 48
Local/Origem: Porto

MensagemColocada: Seg Jun 09, 2008 6:27 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá
Tenho lido com interesse os vossos relatos e testemunhos. O facto de parirem deitadas ou semi deitadas numa marquesa não me espanta...no entanto o que aconteceria se uma mulher se recusassse a parir nessa posição?? A OMS (organização mundial de saúde) diz que a mulher é livre de escolher a posição em que quer parir! O facto de permanecer em cas o máximo de tempo possível foi e é uma boa ideia porque queiramos ou não o hospital ou maternidade não deixa de ser um ambiente desconhecido e uma "ameaça"... e como tal potencia o medo e esta a dor (é um ciclo voçioso). O ter "perdido o controlo" e ter solicitado a analgesia epidural é compreensível...por isso eu defendo (e há estudos efectuados nesse sentido) o acompanhamento da parturiente durante o trabalho de parto e parto pela mesma pessoa que deverá ter um conhecimento prévio e ter estabelecido uma relação. Obg Alexandra pelo seu testemunho
Hecep, vou tentar responder à questão formulada... Muitos profissionais confundem a dilatação completa com período expulsivo mas a dilatação não é sinónomo de expulsão. O que aconteçe é que as nossas instituições trabalham ao compasso do relógio... Por outro lado, se a mulher está com anlagesia epidural é natural que seja um processo mais moroso. Também a posição adoptada quer pelas instituições quer pelas parturientes dificultam o processo porque contrariam a força da gravidade (nós quando vamos à casa de banho não fazemos força deitadas nem semi deitadas)... O que leu no site espanhol é verdade. O que se passa nas nossas instuições é que é difíçil mudar as mentalidades e, as vezes, não é por falta de vontade de mudança...mas porque outros interesses se levantam. A sexualidade feminina ainda é controlada pela medicina... e a grande maioria não se preocupa com esse "detalhe". Por outro lado, são poucas as vozes que contestam as práticas rotineiras e sem evidência científica que são usadas e abusadas nas nossas instituições, seja por desconhecimento seja por medo. Medo que sejamos "maltratadas", medo que algo de mal aconteça ao bébe, medo de confiar nos nossos instintos... Infelizmente, enquanto as parturientes não exigirem os seus direitos, não o contestarem e denunciarem...dificilmente poderá haver uma mudança.
Bjo
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S. Oliveira-BioNascimento
Site Admin


Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Ter Jun 10, 2008 8:54 pm    Assunto: Responder com Citação

Elisa,

Concordo e compreendo o que disse, apenas gostaria de deixar uma achega...não foram as mulheres que criaram teorias e técnicas para o parto normal e natural, nem foram as mulheres que elaboraram os protocolos, por isso, acho lamentável que agora tenham que ser as mulheres os motores de engrenagem desta tamanha mudança, e a verdade é que o estão a ser.

Acho que os profissionais de saúde têm e devem entender isto de uma vez por todas de forma a dignificarem o importante trabalho que desempenham. As mulheres portuguesas estão a ser bem mais rápidas na procura de informação e na mudança de atitude que os profissionais e isso não pode ser, até porque um dos papéis do profissional de saúde é informar, logo espera-se que deles venha boa informação e bons cuidados, o que não está a acontecer na área de obstetricia nas gravideses de baixo risco. Há mais mulheres a saberem o que querem, do que profissionais de saúde a saberem o que, e como fazer.

A Elisa é uma excepção e que batalha diariamente para não ser marginalizada pelos outros profissionais, daí que precisa tremendamente que nós mulheres a apoiemos , mas no fundo Elisa, isto é tudo uma tremenda falta de brio profissional e acima de tudo de humildade. Tem-se cometido erros há longos anos, há que o admitir e mudar, mas mudar rápido, para que os erros não se prolonguem no tempo, através dos nossos filhotes e na nossa auto-estima como mães e mulheres.

Todos nós sabemos que a mudança colectiva só acontece, quando a individual e interior já está feita, por isso, deixemo-nos de rodeios, se cada profissional de saúde mudar no seu interior a forma como encara o parto, a mudança colectiva acaba por acontecer quer seja ela de forma estruturada ou de forma espontânea. A verdade é que cada profissional pode marcar a diferença, pena que sejam tão poucos os que se predispõem a fazê-lo.

Tenho tido a sorte e o prazer de me cruzar com profissionais como a Elisa, mas não posso deixar de dizer que me entristece ver que são uma muito pequena minoria...no entanto e curiosamente são uma maioria a reclamar outro tipo de coisas nesta àrea, como por exemplo a vigilância das gravideses...é interessante...o que podem fazer não fazem, o que não fazem, querem fazer...assim não vamos a lado nenhum...e se formos não será pelo melhor caminho...

Bem, acabei por desabafar...

Bjs
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Elisa Santos



Registo: 28 Ago 2007
Mensagens: 48
Local/Origem: Porto

MensagemColocada: Qua Jun 11, 2008 8:00 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá
Sandra, é verdade que as práticas não foram inventadas pelas mulheres muito menos as teorias e também não foram os profissionais de enfermagem que as inventaram...e se pensarmos que a profissão de medicina foi e é maioritariamente masculina e a profisão de enfermagem maioritariamente feminina e que as instituições deste país são dirigidas por homens, talvez se entenda muita coisa...embora a área de obstetrícia seja maioritariamente feminina os directores naõ são mulheres...só por curiosidade, conhecem-se mais doenças femininas que masculinas porque o corpo da mulher sempre suscitou curiosidade... Por outro lado, eu lido diariamente com parturientes...e elas confiam mais na medicina que na enfermagem...aliás a profissão de enfermagem é vista como auxiliar de médico e quando uma enfermeira tenta revelar-se cntra o sistema é logo aniquilada pela classe médica. Quantas vezes eu falo nas evidências científicas das práticas e riem-se na minha cara e dizem que eu estou a ser lírica...quantas vezes eu peço aos médicos (as) que aparam as crianças que não façam a laqueação do cordão de imediato (estando o bebé bem) e olham para mim...riem-se e laqueiam porque têm pressa em fazer o dequite... E, quantas vezes uma gravidez de baixo risco é classificada de alto risco pelo médico porque tem interesse que aquele parto seja efectuado pelo interno??? E quem é que contesta o poder médico?? Muita coisa tem que mudar...e a experiência diz-me que as coisas mudam se a ordem vier de quem está no topo da cadeia de "comando"... e a ordem só vem se existir quem denuncie e quem se queixe. A maioria da classe médica classifica a gravidez como doença e referem-se às suas grávidas/parturientes de "as minhas doentes"...
Acho que também desabafei...
Bjo
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Qua Jun 11, 2008 11:49 pm    Assunto: Responder com Citação

Entendido, querida Sandra? Pela boca (mais teclas) da Elisa estamos conversadas...

Não há volta a dar - cabe às mulheres chamá-los à pedra, porque se não foram elas (que é como quem diz "nós") a fazer degenerar um processo à partida natural, a verdade é que são elas as vítimas do actual estado das coisas e, como em tantas outros casos na vida, se a vítima não se mexe, não denuncia, não é quem pratica, por comodismo, as mais diversas atrocidades que vai inverter um processo que até lhe é muito conveniente. Sim, porque é muito cómodo manipular o corpo de uma mulher deitada; é muito cómodo despachar em 20 minutos um parto que deveria levar 20 horas; é muito cómodo manter submissa e calada uma mulher a quem convenceram que a epidural lhe faz falta; é muito cómodo aplicar um clistér no acto de internamento, porque é chato que se farta andar a dar conta de trampa de uma série de parturientes; é muito cómodo suturar um períneo sem pêlos à vista; é muito cómodo alargar uma vagina à tesourada, porque a laceração pode não sair muito direitinha e o profissional de saúde tem mais que fazer do que perder o seu tempo em bordados tão elaborados como os da Madeira; é muito cómodo enfiar uma qualquer tetina na boca de um recém-nascido, porque aturar as lágrimas de uma mãe insegura é uma estopada... And so on, and so on...

Fui um bocado abestalhada a desabafar, eu sei, mas tinha mesmo de ser... MEXAM-SE!
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S. Oliveira-BioNascimento
Site Admin


Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Qui Jun 12, 2008 9:01 am    Assunto: Responder com Citação

Tudo isso é verdade, acrescento só uma coisa, relativamente ao que a Elisa disse: a sua argumentação só me confirma a minha opinião de que a opção em Portugal de a "arte de partejar" ter ficado uma especialidade de enfermagem foi um erro.

Seja como for, tenham sido enfermeiros, ou médicos, (homens ou mulheres), foram profissionais de saúde que inventaram coisas "erradas", logo acho que deveriam ser eles/elas os primeiros a ter a preocupação de as corrigirem, o que não invalida naturalmente que as mulheres levantem a voz em seu benefício, claro!

Beijocas às duas,
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Elisa Santos



Registo: 28 Ago 2007
Mensagens: 48
Local/Origem: Porto

MensagemColocada: Qui Jun 12, 2008 1:38 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá
Desculpe, Sandra mas a arte de partejar tal como a arte do cuidar são artes ancestrais e femininas daí a enfermagem ser maioritariamente feminina e ser a profissão que domina a arte do cuidar por excelência. Obstetrícia quer dizer estar ao lado de ...é isso que a enfermeira faz, está ao lado de...Os partos assistidos no turno da noite são diferentes dos assistidos no turno de dia e porquê?? Porque a sala de partos no período da noite é da parteira. Por outro lado, embora não pareça aos olhos da opinião pública, são os enfermeiros quem defendem melhor os direitos dos enfermos. Na área de obstetrícia não é diferente, mas as pessoas acabam por se acomodarem após lutas inglórias e sem apoios contra aqueles que dominam... dificilmente somos levados a sério como profissão pelos nossos parceiros profissionais (leiam-se médicos) e pela opinião pública e pela sociedade em geral, e eu sei o que estou a teclar.
Não posso concordar com a Sandra neste aspecto caso contrário não estaria aqui... eu sou enfermeira e foi com esse espírito que decidi ir para obstetrícia... Eu não sou diferente, apenas não tenho mais nada a perder e luto por aquilo em que acredito e como eu existem mais colegas mas não somos suficientes para sermos ouvidos mesmo junto das mulheres. Claro que foram os profissionais que inventaram as regras e protocolos mas atribuam a responsabilidade a quem de direito...As instuições por si só são hierarquizadas e as hierarquias para funcionarem necessitam de protocolos e regras e quem as dita é quem está no poder e quem chega ao poder ... não são mulheres. Mas as vezes pergunto a mim mesma se faz sentido eu lutar por uma causa que é defendida por uma minoria...afinal a maioria das mulheres até que estão acomodadas e não se importam de parir, por exemplo, na posição de semi deitada quando têm a possibilidade de parirem sentadas ou de cócoras. Ou, de fazerem a depilação púbica antes de darem entrada no hospital ou maternidade... entre muitas outras coisas...A maioria nem sequer pondera a possibilidade de tentar outros meios para alívio da dor além da epidural. Perguntam-me , "para quê sofrer desnecessariamente?" A visão que a população em geral tem é que o parto é de sofriomento...foi-lhes ensinado que o parto é algo de muito doloroso e a analgesia epidural surge como um milagre e não foi um enfermeiro muito menos enfermeira parteira que inventou a epidural. Não foi a parteira que quiz sair dos centros de saúde onde se pode fazer uma educação para a saúde e apostar na prevenção... onde se pode acompanhar a grávida, parturiente e puérpera mas que não se acompanha porque são uma minoria as que recorrem ao centro de saúde, porque querem o melhor para os filhos e procuram a privada... e quem faz o acompanhamento da gravidez nos centros de saúde são os médicos de clínica geral.... Os médicos vêem doenças não vêem pessoas... Gosto de ser enfermeira e o ser parteira foi uma escolha do leque de especialidades que a área de enfermagem tem e, só por acaso, é a especialidade mais longa :)
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Elisa Santos



Registo: 28 Ago 2007
Mensagens: 48
Local/Origem: Porto

MensagemColocada: Qui Jun 12, 2008 1:47 pm    Assunto: Responder com Citação

Só mais uma coisinha.... acho que a "arte de partejar" não deveria era ser uma especialidade médica, afinal foram eles que levaram as mulheres no século passado para os hospitais....e aí esquadrinharam todo o aparelho reprodutor da mulher que, na sua maioria, se sente grata por a menstruação e a menopausa ser medicada....aliás, o corpo feminino passou a ser controlado por especialistas...e são esses especialistas que orientam a mulher em todo o seu ciclo gravídico puerpural...
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Qui Jun 12, 2008 4:02 pm    Assunto: Responder com Citação

Bom eu percebo o vosso ponto de vista que é o de profissionais da área. Eu tenho o ponto de vista do utente. A minha prioridade num parto é que eu e o meu bébe fiquemos bem, aconteça o que acontecer. Algumas das coisas que eu coloquei em causa quando fiz perguntas sobre o parto disseram-me que poderia afectar o bem estar meu e do bébe. Quer dizer, eu não sou médica, perante isto...
Em relação à posição de parir e a episiotomia disseram-me claramente: aqui fazemos desta forma, se quiser de outra forma terá de ir para outro local. Ora isso cá implica ir às 36 semanas de gestação para o continente (depois disso é uma chatice viajar de avião) e ter o parto sem o meu marido poder assistir. Sim porque o que vocês sugerem não é muito praticável, se me recusar a seguir as práticas usuais de cá poderei ficar mal vista (principalmente se apresentar queixa) e depois tenho profissionais que não tiveram qualquer treino para fazer as coisas de outra forma a assistir a um parto "diferente" e ainda por cima de má vontade por causa da queixa. Sinceramente sinto que são muitos imponderáveis numa situação muito delicada em que o que está em causa é a vida ou a morte (pelo menos é isso que sempre me fizeram sentir).
Eu inicialmente tinha dito que não deixaria provocarem o parto mas depois de passarem as 40 semanas fiquei preocupada: e se não provocarem como querem e depois acontecer alguma coisa de mal ao bébe?
E há coisas que eu não sei se não prefiro intervencionadas, quer dizer vocês falam em 20 horas em trabalho de parto, eu acho que não aguentaria isso. Eu tive o Eric às 15:45, o parto tinha começado a ser provocado às 9h, mesmo imaginando que sem oxitocina no soro as dores são menores, não me estou a ver a conseguir aguentar tanto tempo. Enfim, nós deváamos poder ensaiar as várias modalidades possiveis para ver qual nos convinha mais :lol: . Eu por exemplo sempre achei que ía gostar de me mexer durante o trabalho de parto e no hospital até me autorizaram a isso (com o soro atrás numas rodinhas) mas a verdade é que quando as contrações começaram a "apertar" ficava de tal maneira exausta com cada uma delas que realmente não consegui estar noutra posição que não deitada. Na hora da realidade senti-me de forma bastante diferente do que achei que me ia sentir em relação a algumas das intervenções.
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AlexandraEgas



Registo: 22 Mai 2008
Mensagens: 10

MensagemColocada: Qui Jun 12, 2008 10:36 pm    Assunto: Responder com Citação

Um problema é que por vezes a mulher não conhece os seus direitos ou tem medo de represálias por parte dos profissionais que a atendem. Fiz aulas de peparação para o parto em que de 8 grávidas existentes no meu concelho, apenas duas assistiamos. Ainda existem Hospitais onde os pais não podem acompanhar o nascimento dos filhos e dar animo ás esposas, o que é muito importante. Existem muitos senãos e ninguem que reclame, mas para ter os filhos em casa em codições aceitáveis é hoje um pouco dispendioso ao passo que no hospital publico é gratuito.
Existem 1 ou 2 maternidades onde é feito um parto natural mas não estão acessiveis para todas. A proposito para a HECEP penso que o periodo expulsivo deve variar dependendo da fisionomia da mulher, no meu caso terá durado uns 10 minutos. A propósito este forum é FABULOSO pena não o ter descoberto antes de engravidar, algumsas coisas seriam diferentes (lá está, falta de imformação).
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S. Oliveira-BioNascimento
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Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Sáb Jun 14, 2008 1:16 pm    Assunto: Responder com Citação

Elisa,

A questão é que nos países em que a arte de partejar não é uma especialidade da enfermagem, mas sim um curso de entrada directa, e exclusivo da saúde feminina, sem a vertente de enfermagem, e só parteiras, estas têm mais autonomia e mais facilidade de enfrentar não só as hierarquias, como as decisões médicas porque são tomadas lado a lado, e não de cima para baixo. É uma consequência que é construida pelo próprio tipo de personalidade das pessoas que optam por este tipo de formação.

Claro que é igualmente importante que as mulheres reconheçam a mais valia que têm em que os cuidados lhes sejam prestados por estas parteiras, que lamentavelmente em Portugal não existem, é uma formação muito diferente...não quero com isto dizer que os enfermeiros especialistas não estejam preparados para o fazer, estão é preparados com perspectivas diferentes...

E prova disso é a dificuldade que há em encontrar enfermeiros que estejam disponíveis para o parto natural seja em casa ou no hospital...

Bjs
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Elisa Santos



Registo: 28 Ago 2007
Mensagens: 48
Local/Origem: Porto

MensagemColocada: Dom Jun 15, 2008 2:17 am    Assunto: Responder com Citação

Olá, Sandra
Como voçê mesma diz "noutros países" ...noutros países e uma outra cultura... O curso de parteiras inicialmente era ministrado por médicos...aliás são eles quem mais dificultam a mudança e também são eles quem dão aval aos protocolos instituídos nas nossas maternidades... Já tive oportunidade de referir que a arte de partejar é a especialidade mais antiga da enfermagem o paradigma da enfermagem é arte de cuidar.... Um curso de entrada directa não me pareçe que viesse beneficiar mais as mulheres, mesmo porque a nossa sociedade reverencia a medicina... a medicina que outrora formava as parteiras... Quer queiramos quer num o lobbie médico tem muito poder e peso na nossa sociedade. A parteira não é aquela que acompanha o parto mas sim aquela que acompanha a mulher nas suas diversas etapas da vida para assim melhor entender a mulher que vai parir. Outrora, essa tarefa cabia à mulher mais velha da aldeia ou da tribo, porque essa tinha o conhecimento adquirido pela experiência. Hoje, a enfermeira faz um percurso de 4 anos, espera cerca de 3 anos antes de se lançar na especialização que tem uma duração de 2 anos. Não é por acaso que o percurso é assim, porque nesse tempo vamos adquirindo competências e maturidade que vai ser necessária para melhor entender o outro. O ser enfermeira prepara-me para actuar em situações que realmente exigam mais que a atitude expectante da parteira. As parteiras existem mas estão manietadas, sim. Manietadas pelas instituições que no século passado obrigaram as mulheres a irem parir para os hospitais e retiraram as parteiras dos centros de saúde. Manietadas pela sociedade que não reconheçe o seu saber e manietadas pelas instituições que têm regras e protocolos ditadas pelo lobbie de quem tem o "poder do saber", Esse mesmo lobbie que impede que o parto seja natural no hospital, porque a visão que têm do parto é a visão do risco e como tal previne-se o risco e isto é o que a maioria da população procura.... Tou pedaçinho fatigada com toda esta "luta" , acho que me fico por aqui...e "enterro o machado de guerra", dou-me por vencida... Força, Sandra e a todas as que ainda lutam por uma sociedade melhor e um parto mais fisiológico.
Bjos
Bjo
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S. Oliveira-BioNascimento
Site Admin


Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Dom Jun 15, 2008 7:29 pm    Assunto: Responder com Citação

Elisa,

Nem pense que a deixo baixar os braços depois de tudo o que tem vindo a construir. Vamos continuar esta conversa sim, mas fora deste forum e pessoalmente, quando estivermos juntas. Até lá, enviarei para si todas as mulheres do Norte que procurem um parto respeitado, com dignidade, carinho e tempo. E tenho muita pena de não estar mais perto...

A Elisa é uma das poucas excepções, por isso precisamos de si, não com "machados de guerra", mas sim com muita feminilidade, compreensão, sensações e acima de tudo muito altruísmo! E isso eu sei que você tem.

Sabe que mais, temos que nos borrifar para se são médicos ou enfermeiros, estou cansada de procurar culpados e de os encontrar vindos de todos os lados, por isso, quero mesmo é mudar as coisas com cada um com que me cruze, e que reconheça em mim o direito e a capacidade a o fazer.

Anime-se!!! Voçê sabe o que me leva a dizer estas coisas, e o porquê tanto acreditar na formação de parteira de outros países ( sim, que a de Portugal, de há 30 anos, não é do que falo seguramente) e para mim a Elisa tem perfil de parteira!!

PS: Só uma nota, as parteiras também são formadas para agirem em situações que de expectantes têm muito pouco.
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