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Tanta mama e tão doente!... :(

 
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Qui Fev 19, 2009 5:13 pm    Assunto: Tanta mama e tão doente!... :( Responder com Citação

Quantas mães, com um bebé na creche, não terão este mesmo desabafo, na perplexidade de quem já põe tudo em causa, até o valor do leite materno? Compreendo o desânimo e a dúvida... Afinal de contas, sempre ouvimos dizer que o leite materno lhes confere defesas vitais contra agressões externas da mais diversa natureza. Do que nunca se fala é da batalha desigual e da traição que representa para o sistema imunitário de um bebé a sua entrada para a creche.

Ora vejamos: um bebé amamentado em exclusivo até aos seis meses está à beirinha de entrar para a creche. O sistema imunitário do pequeno interpreta as suas necessidades de defesa da seguinte forma: o leite materno faculta-lhe toda a protecção de que precisa face ao seu ambiente doméstico, habitado de micróbios conhecidos há meses. Faz sentido, portanto, baixar a guarda – o sistema imunitário deste bebé não percepciona a necessidade de estimular o desenvolvimento de defesas próprias, uma vez que estas estão garantidas, por intermédio do leite materno, riquíssimo em defesas naturais que a mãe produziu na batalha do seu próprio sistema imunitário com o meio em que vive. Dá-se então a entrada para a creche e a criança vê-se confrontada com diversas formas de agressão à sua saúde para as quais não dispõe de defesa, uma vez que estas não existiam no meio em que viveu até então. A mãe, por seu lado, não lhe pode conferir estas defesas, uma vez que o seu próprio organismo nunca se viu confrontado com semelhantes formas de agressão, não dispondo de defesas para elas – a mãe não vive na creche e o acesso ao espaço do infantário é-lhe muitas vezes negado. Desta forma, o bebé vê-se, repentinamente, na necessidade de tomar a dianteira na produção do seu próprio arsenal de defesa face às infecções... Imagine-se cada bebé como um pequeno universo habitado por uma infinidade de micróbios, com os quais até consegue lidar razoavelmente. Agora imagine-se, não um, mas oito ou dezasseis pequenos universos destes, mas servindo cada um deles de habitação a oito ou dezasseis coktails infecciosos, todos diferentes. É caso para dizer: Não há bebé que aguente! Das duas uma: ou o dito bebé tem já algum traquejo no improviso de defesas, como desde muito cedo têm de fazer os bebés não amamentados; ou então está em sérios apuros, uma vez que a mãe, não frequentando o infantário, não consegue dispor das defesas de que o seu bebé precisa naquele instante. Mas a natureza vai fazendo o seu trabalho, claro, e os bebés de mama podem levar o seu tempo até apanharem os seus coleguinhas de biberão, mas também lá chegam, com a ENORME VANTAGEM de disporem sempre de formas de defesa que os não amamentados não têm como conseguir, porque são proporcionadas exclusivamente pelo leite da mãe, como seja, por exemplo, a maior resistência a uma série de alergenos, para dar só um exemplo.

Portanto, para o sistema imunitário de um bebé de mama, a traição que representa a entrada para a creche, sendo um mal necessário, acaba por ter um final feliz, mais cedo ou mais tarde, mamãs. É mesmo uma questão de paciência... Claro que, pelo que aqui deixo escrito, facilmente se depreende que bom mesmo seria um bebé poder frequentar a creche pelo mínimo tempo possível, em horário absolutamente livre (que permitisse a presença de um menor número de bebés em simultâneo) e que as mães pudessem estar com os seus bebés, mesmo que por pouco tempo, naquele que é o espaço do infantário, por forma a contactarem também com os agentes infecciosos que os pudessem vir a atingir, por forma a poderem também imunizá-los através do leite... Bem, bom, bom, bom mesmo seria um bebé nunca precisar de creche até aos 3 anos! Mas isso...

P.S.: É claro que extremei um pouco as coisas na descrição que fiz, para que a explicação se tornasse mais evidente - é óbvio que um bebé amamentado tem capacidade para produzir as sua próprias defesas, mas não sente necessidade de o fazer como um bebé de fórmula... Já o contrário, infelizmente, não se verifica - um bebé de fórmula não tem como conseguir um menu de defesas pronto, por parte da sua mãe. ;)
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Qui Fev 26, 2009 3:52 pm    Assunto: Responder com Citação

Apesar de tudo costumam mesmo assim ficar doentes menos vezes ou pelo menos menos tempo e com menos de gravidade que os bébes de fórmula. O meu filho orgulhosamente contagia-me com quase tudo o que apanha, logo acaba por recuperar já com o meu leite com algumas imunidades para o que tem. E só apanha praticamente viroses, tipicamente 3 a 4 dias e tá curado só à base de ben-u-ron e às vezes nem isso.
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Qui Fev 26, 2009 9:35 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá, hecep!

Bem... tenho conhecimento de alguns casos que não confirmam na totalidade a ideia de que os bebés amamentados estão doentes por menos tempo, menos vezes e com menos gravidade. Algumas destas ocorrências até são fáceis de explicar - a frequência de creches é um dos factores a ter em conta, mas não só. Há que levar em linha de conta, por exemplo, as condições de frequência que oferecem estas instituições. Falo de condições físicas, de sanidade e lotação. A juntar a este factor, há ainda muitos outros que podem ser determinantes na frequência e gravidade com que uma criança adoece, independentemente de ser ou não amamentada, nomeadamente: a predisposição genética para algumas enfermidades; e as condições de nascimento (o tipo de parto que teve e a forma como decorreu).

O meu exemplo é bem ilustrativo do que acabo de dizer e dá-te, em parte, razão, quer dizer: se é verdade que o meu filho tem adoecido com muito menos gravidade do que a irmã nesta idade (apesar de poder considerar que foi ela própria uma bebé muito saudável), quanto à frequência com que fica doente, já não noto grandes diferenças... Ele, até hoje, não sabe, por exemplo, o que é uma otite... Ela (amamentada apenas até aos 4 meses e nunca com leite materno em exclusivo), com esta idade já ia para aí na 5ª ou 6ª otite, com as correspondentes terapêuticas de antibiótico... Por outro lado, devo dizer que nenhum deles teve alguma vez qualquer problema do foro respiratório - não sei o que são bronquites, bronquiolites, pneumonias... Aqui, é minha convicção (sublinho: MERA CONVICÇÃO) que terá tido importância fulcral a forma como decorreram as respectivas gravidezes e partos - qualquer um deles nasceu de termo (41 e 39 semanas), nenhum dos partos sujeito a qualquer forma de indução ou aceleração e ambos vaginais sem epidural. Prosseguindo com o meu próprio exemplo, acrescento que qualquer um dos meus filhos veio a revelar sintomas de rinite alérgica (culpa dos genes da mãe), embora ela tenha tido as primeiras manifestações logo aos 4 meses, enquanto ele (amamentado em exclusivo até aos 6 meses e de forma complementada até hoje, com 1 ano) só revelou sintomas de rinite alérgica já com 8 meses...

Para mim, é evidente que os meus filhos, embora ambos saudáveis, não estão, de facto, em igualdade, no que toca à protecção face à doença - ele saiu francamente beneficiado.

Já agora, esclareço o propósito deste meu tópico: gostaria que este funcionasse como forma de incentivo para as mamãs que, amamentando os seus bebés, se vêem tristes e desapontadas pelo facto de os verem tantas vezes doentes. Gostaria que estas mães ficassem com uma certeza: o panorama pode não ser muito animador por uma série de factores desencadeantes, alguns dos quais já mencionados, mas pior seria certamente se nem com a protecção do leite materno estes bebés pudessem contar...

;)

;)
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S. Oliveira-BioNascimento
Site Admin


Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Sex Fev 27, 2009 2:32 pm    Assunto: Responder com Citação

É isso mesmo Sílvia, e nem sempre a causa é a creche.

Temos uma mãe aqui do fórum, que lá em casa todos apanharam uma virose, que basicamente dava diarreias e vómitos terríveis, e alguma febre. O menino mais novo, com um ano e meio, se não fosse a mama já tinha sido internado, porque não comeu absolutamente nada mais de uma semana! Perdeu imenso peso, mas com a mamoca da mãe lá se foi aguentando.

E convém que as mães que por alguma razão introduziram suplementos, não desmotivem e continuem sempre a estimular as mamas e a produção, porque o facto de estarem a fazer em determinada fase uma alimentação mista em tipos de leite, não siginifica que a amamentação prolongada já não seja possível. É possível sim, e vale a pena tentar, principalmente se isso é um desejo que sentem.

Leite arteficial não é = a fim do sucesso da amamentação!

Silvia, achei por bem fazer esta abordagem, porque por vezes há mães que se cruzam com o nosso fórum à procura de apoio nesta temática, e quero que elas sintam que podem ter uma amamentação prolongada, mesmo quando por alguma razão já foi introduzido suplemento. E há várias mães neste fórum que podem testemunhar isso.

Beijocas a todas
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Sex Fev 27, 2009 3:20 pm    Assunto: Responder com Citação

Pois quem tem de repetir "É isso mesmo!" sou eu, Sandra. Lembraste, e muito bem, uma ENORME vantagem dos bebés amamentados em relação aos que não o são! Disto sei eu também por experiência própria! Também tive o meu filho doente uma vez, sem querer comer NADA, mesmo nada, aceitando apenas a mama! Nessa altura eu só me perguntava vezes sem conta: Mas o que faria eu da minha vida, que seria deste infeliz, se eu não amamentasse???!!! Nestas situações verdadeiramente desesperantes, só uma mãe atinge o alcance e importância da amamentação! Foi o que valeu ao meu pequeno, ou tê-lo-ia visto definhar num instante, o que não aconteceu - limitou-se a estacionar no aumento de peso.

Quanto à questão do aleitamento suplementado, esta é tão, tão, mas tão importante que merece um tópico específico, que gostaria de escrever em breve... Para já posso - e devo! - adiantar que as mães que acabam por suplementar o aleitamento dos seus bebés merecem toda a minha atenção e consideração! Também sei - porque passei por isso com a minha primeira filha - que não há regime alimentar mais tarbalhoso, complicado e extenuante que o suplementado! Poucas pessoas pensam nisto, mas vejam só: uma mãe que dá mama e suplemento ao seu bebé nunca consegue usufruir dos benefícios práticos da amamentação em exclusivo (alimento sempre pronto, à temperatura certa, com garantia de sanidade bacteriológica, com a composição e nível de tolerância perfeita para o nosso bebé) e também acaba por não conseguir beneficiar do pouco que a alimentação de fórmula em exclusivo consegue oferecer (independência alimentar absoluta do bebé em relação à mãe e controlo matemático da dose de alimento). Digamos que a mãe que alimenta o seu bebé em regime misto, tem uma trabalheira desgraçada, só porque insiste em oferecer ao seu bebé o que tem de melhor (mesmo que em quantidade limitada). Ora, estas mães têm TODO O MÉRITO! Se não pusessem o bem estar do seu bebé em primeiríssimo lugar, deixariam pura e simplesmente a amamentação, como eu acabei por fazer, lamentavelmente. O regime alimentar misto dá uma trabalheira desgraçada, mamãs! Eu sei do que falo... Mas voltarei então ao assunto num próximo tópico, porque me sentirei sempre muito solidária com estas mães e até com as "zangadas com a amamentação", como já fui em tempos... Eu também senti na pele a "crueldade e ditadura das amamentantes", quando me senti fracassar na amamentação. Entendo-vos tão bem...

Hoje vai um beijinho muito especial para as que sentem que nisto da amamentação ficaram para trás.

;)
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Qua Mar 04, 2009 7:22 pm    Assunto: Responder com Citação

Eu não digo que as crianças amamentadas não adoecam, mas em média o que eu disse é verdade. Claro que as médias , enfim, valem pelo que valem.
Uma amiga minha tem a filha doente quase todas as semanas e é amamentada. O que eu acho é que deve haver uma predisposição genética para alguma fragilidade do sist. imunitário, aquela miúda se não fosse amamentada se calhar já tinha sido internada umas quantas vezes no hospital, assim ao menos ainda vai recuperando em casa.
Uma das causas de redução da taxa de mortalidade das crianças amamentadas entre o 1º e o 2º ano de vida é precisamente porque com esta idade tendem a apanhar muitas doenças tipo gastro-enterite e as amamentadas vão-se aguentando com o leite materno, não chegam a desidratar muito e têm um alimento adequado para recuperar. Já as não amamentadas recusam muitas vezes todos os alimentos e bebidas acabando por morrer de desidratação e fraqueza. Nos paises desenvolvidos isto é mais raro, claro, mas existem sempre aqueles casos raros que nem com internamento hospitalar conseguem recuperar. Daí, entre outras razões, a recomendação da OMS em amamentar até aos 24 meses no mínimo.
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S. Oliveira-BioNascimento
Site Admin


Registo: 25 Mai 2005
Mensagens: 477

MensagemColocada: Sex Mar 13, 2009 4:34 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Hecep,

Bem pois eu não conheço nenhum estudo científico que nos mostre que as crianças amamentadas adoecem menos que as não amamentadas.

Tu conheces?

Pois pela minha experiência posso dizer-te que das várias mães que acompanhei (com amamentação exclusiva e prolongada) esta relação de bebé amamentados ficam menos doentes, nas mães que tenho apoiado não se aplica, pois ficam igualmente doentes. Naturalmente que o facto de os bebés amamentarem quando estão doentes é muito mais tranquilizador, pois têm sempre um alimento que o bebé recebe e o vai ajudar a melhorar de forma natural.

A minha experiência pessoal com a minha Rita, ela não foi amamentada em exclusivo até aos 6 meses (introduzi as sopas aos 4 meses), mamou até aos 8 e raramente ficava e fica doente.

Acho que a amamentação vai muito além das probabilidades de ficarem mais ou menos doentes, e penso que devemos aprender com os animais e assumir a amamentação como algo natural e cujos beneficios são de difícil substituição e não acredito que alguma vez se conseguirá esgotar via estudos ou "what ever" o quanto é importante. Acho que no fundo todas nós mães o sabemos, o nosso instinto assim nos diz.

As mães que por alguma razão não querem ou não podem amamentar deverão ser tão ou mais apoiadas que as que amamentam, sem qualquer tipo de julgamento, isto claro quando não estamos a falar de situações de assumidissíma informação errada.

Bjs
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Sex Mar 13, 2009 4:35 pm    Assunto: Responder com Citação

Boa tarde!

Pois o acompanhamento aqui do fórum não está fácil... e o motivo passa também, e nem de propósito, por um filho doente, pela enésima vez este ano (até já perdi a conta), apesar de amamentado desde sempre... Sem qualquer predisposição genética aparente para tal, a verdade é que tem passado mais tempo em casa que na creche, tal tem sido a fartura... Como eu, conheço muitas mães amamentantes que se queixam do mesmo e que perguntarão, perante depoimentos como o teu, hecep, se o problema não estará então no seu leite... CLARO QUE NÃO ESTÁ! E é isso que é importante frisar até à exaustão se for preciso! É importante que se tenha a noção, de uma vez por todas, que insistir nesta ideia de que os meninos amamentados adoecem menos que os outros NÃO É VERDADE!!! Eu diria que adoecem igualmente, isto é: há miúdos mais susceptíveis à doença, quer entre os amamentados, como entre os que não o são; como há crianças super resistentes à doença nos dois grupos! A quem me afirma categoricamente que as crianças amamentadas adoecem menos, peço o favor de me indicarem o estudo científico de amostragem alietória que o comprova. ATENÇÃO: estou a falar de doenças comuns, triviais, que não representam, por si só, um grande risco para a criança (meros estados infecciosos quase assintomáticos, com febre, algum ranho, tosse e pouco mais)! Eu própria já disse aqui que o meu filho (o tal amamentado desde sempre e já com um ano) NUNCA teve uma otite, ou qualquer problema do foro respiratório, no entanto passa-me dias infindos em casa, febril, com todo o tipo de porcaria contagiosa que traz da creche!!!

Portanto, é preciso ter cuidado com certo tipo de afirmações, que, ao contrário do que possa parecer, ao invés de representarem um abono à amamentação, funcionam como mau serviço, uma vez que a imensidade de mães com bebés amamentrados doentes não se revê nessas afirmações e correm o risco, perante estas, de pôr em causa a sua amamentação, uma vez que não se encaixam na suposta "regra".

Atalhando e conforme se pode ver no estudo de 2007 que deixo referenciado no final desta minha intervenção, o que está provado é o efeito preventivo e efectivo da amamentação em determinado tipo de patologias muito concretas (como sejam as otites, obesidade, diabetes tipoII, entre outras). Nunca ninguém afirmou que as crianças adoecem menos se forem amamentadas! E se me vierem dizer: "Ah, mas nos hospitais, de entre as crianças que entram doentes, a maior parte não é amamentada!" Respondo: Muito obrigada!!! A maior parte das nossas crianças, actualmente, não é amamentada a partir da idade em que começam a acorrer com mais frequência aos hospitais!!! Portanto, é natural que a proporcionalidade matemática se reflita nas admissões hospitalares!!!

Para terminar: hecep, peço-te, por favor, que não entendas o que aqui deixo como um ataque. Não é. Só entendi que o que disseste, com a melhor intenção, pode deixar alguma angústia em muitas mães, entendes? Não prestamos um bom serviço à causa da amamentação pintando-a com cores que, na verdade, não tem... E se eu sou fã da amamentação!

Fica o link:

http://www.babyfriendly.org.uk/items/research_detail.asp?item=466
;)
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Dom Mar 15, 2009 3:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Bom e então terem menos otites não é ficarem doentes menos vezes? Desculpem mas não, não estou a perceber a lógica. Se e quando tiver tempo irei por aqui as informações credíveis em que baseio as minhas informações.
Não estou a encarar isto de forma pessoal, não se preocupem, simplesmente tenho realmente uma perspectiva diferente sobre o assunto da vossa.
Para mim a questão das doenças foi e é determinante para manter a amamentação, não foi o único factor mas é sem dúvida um factor importante.
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Dom Mar 15, 2009 6:20 pm    Assunto: Responder com Citação

Viva, hecep!

Olha, começas por levantar uma boa questão... Perguntas: "Bom e então terem menos otites não é ficarem doentes menos vezes?" Pois parece-me que é justamente aqui que reside o equívoco. A resposta à tua pergunta é: Não. Terem menos otites não é ficarem doentes menos vezes - não forçosamente; é ficarem doentes com menos gravidade - muito provavelmente! Repara: os agentes patogénicos com que os nossos bebés se cruzam diariamente não são o vírus da otite, nem a bactéria da amigdalite - isso não existe! O que acontece é que estes agentes, ao tomarem conta do organismo das nossas crianças, vão atacá-las justamente onde elas se revelam mais frágeis, ou onde reúnem as condições consideradas óptimas para desenvolvimento destes agentes. Quer dizer, duas crianças podem contactar com uma mesma bactéria patogénica, em circunstâncias idênticas, mas equanto uma, em consequência deste contacto, desenvolve uma amigdalite, a outra vem a aparecer com uma otite. Porquê? Porque a vulnerabilidade destas duas crianças não era igual. Até se poderia dar o caso da primeira criança ser amamentada (e portanto ter o seu aparelho auditivo mais defendido), enquanto a segunda poderia não ter contado com leite materno nunca. Entendes? Elas ficaram ambas doentes, mas a otite poderá ter implicações mais graves... Entendes agora porque é que ter menos otites não quer dizer estar doente menos vezes?

Dizes: "Para mim a questão das doenças foi e é determinante para manter a amamentação, não foi o único factor mas é sem dúvida um factor importante." Sem dúvida! Não podia estar mais de acordo! Para mim também, que amamento o meu bebé já com 13 meses! Também te digo que não é este o único factor que nos mantém "presos", mas é um fractor de peso, sim!

Acrescento apenas, de forma bem vincada e repetida, que o objectivo deste tópico era justamente desmistificar a ideia de que os bebés amamentados adoecem menos que os restantes. A ideia era libertar as mães dos bebés amamentados e doentes da angústia que lhes pode causar semelhante afirmação. DE UMA FORMA GERAL, BEBÉS AMAMENTADOS NÃO ADOECEM MENOS, ADOECEM DE FORMA DIFERENTE E, NORMALMENTE, MENOS GRAVE QUE OS RESTANTES.

Chamo ainda a atenção para o risco das generalizações, seja em que sentido for. Por isso, tive o cuidado de dizer "De uma forma geral". As excepções existem sempre e devem ser motivo de investigação e reflexão. Olha, queres saber da mais desconcertante das excepções? Eu NUNCA fui amamentada, nem um gota de leite materno tive em bebé. O meu irmão, em contrapartida, foi amamentado até aos 8 meses. Eu NUNCA tive uma otite na vida, não sei, aliás, o que é uma dor de ouvidos até hoje. O meu irmão, por seu lado, foi um mártire das otites ao longo de toda a sua infância... Agora, também devo reconhecer uma coisa, com toda a objectividade: o meu irmão é, de longe, muito mais inteligente que eu - o que vem ao encontro, por coincidência ou não, de estudos científicos recentes, por mais que isto magoe a alma de mães não amamentantes... e eu sei do que falo... eu que recusei a mama à minha filha mais nova...

Mantém-te apoiando a amanentação, hecep - essa tua luta tem todo o mérito e razão de ser - mas não permitas nunca que os teus adversários nesta causa te desmereçam pela argumentação, quando, afinal, quem tem razão és tu.

;)
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Seg Mar 16, 2009 1:04 am    Assunto: Responder com Citação

Oi!
Sim, dei-me ao trabalho de ir consultar os alfarrábios e sim, nada do que eu disse é errado, há estudos que o substanciam. Efectivamente as crianças amamentadas sofrem de menos gastroenterites, menos doenças respiratórias e menos otites que as não amamentadas. O que quero dizer com isto é que diversos estudos independentes que demonstraram que existe uma diferença estatisticamente significativa. Isto não quer dizer nada em relação a um individuo em particular que pode ser de constituição mais frágil ou viver mergulhado num ambiente de fumo e ficar mais doente que outro alimentado com fórmula devido a factores externos, mas no global pode-se afirmar que a ingestão de leite materno reduz o risco de infecção incluindo as infecções tipicas de infantário. O meu filho tb se farta de apanhar viroses na creche, não estou a negar essa evidência, mas potencialmente ficaria doente ainda mais vezes se não tivesse sido amamentado. Quanto ao curarem-se mais depressa só encontrei um estudo em relação à gastroenterite que efectivamente prova que o leite materno faz com que a diarreia passe mais depressa e reduz o risco de desidratação. Confesso que me faltaram as forças para conseguir ler com pormenor toda a actuação do leite materno a nível do sist. imunitário da criança, talvez lá diga mais qualquer, um dia pode ser que lá chegue.Não tenho mesmo tempo para fazer as citações todas, o livro que consultei foi o "breastfeeding and human lactation" do Jan Riordan, em particular os capitulos 4, 18 e 19.

Quanto a outra questão que foi levantada antes por causa dos potenciais sentimentos de culpa das mães que não amamentaram, confesso que não estou muito preocupada. Eu em relação a este assunto tenho a perspectiva da Dr.ª Gro Nylander, todas as pessoas têm o direito de saber. Não atiro com esta informação para cima de ninguém, mas se levantaram a questão informo, doa a quem doer. Sou assim, não há muito a fazer. Claro que depende das circunstâncias, evito, como a maioria das pessoas minimamente decentes magoar os outros, mas enfim, então quando sou atacada por "ainda amamentar" pode acontecer que fique com a lingua particularmente solta.
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Sílvia



Registo: 24 Ago 2005
Mensagens: 97
Local/Origem: Odivelas

MensagemColocada: Seg Mar 16, 2009 3:41 pm    Assunto: Responder com Citação

Viva, hecep!

Não sei se temos algum problema de comunicação - receberás exactamente as respostas que publico?! Chego a acreditar que não... Estranhamente vens dizer que te deste ao trabalho de procurar fundamento para as tuas convicções (quero acreditar que são só isso) e depois vens repetir o que fui eu que disse, não tu!

«Efectivamente as crianças amamentadas sofrem de menos gastroenterites, menos doenças respiratórias e menos otites que as não amamentadas.» - foi o que repetiste destas minhas palavras:«o que está provado é o efeito preventivo e efectivo da amamentação em determinado tipo de patologias muito concretas (como sejam as otites, obesidade, diabetes tipoII, entre outras)»

Repito, então: o que mais frequentemente leva as crianças amamentadas para casa, faltando à creche, não é nenhuma destas enfermidades! Contra essas estão particularmente defendidas, como comprova o estudo que linkei! LESTE-O? - e haverá organismo mais fidedigno no que respeita aos estudos que publica nestas matérias, do que a própria UNICEF??!! E as restantes maleitas??!! Repara: o estudo que te apresentei é de 2007 e é claríssimo na enumeração das doenças passíveis de prevenção por meio da amamentação! Nunca são usados termos genéricos como"infecções típicas de infantário", como tu fizeste! As infecções são tratadas pelo nome, uma a uma! E isto é o que está efectiva e cientificamente provado!

Dizes: «a ingestão de leite materno reduz o risco de infecção incluindo as infecções tipicas de infantário.» A que infecções te referes? Se é às que estão acima discriminadas (também típicas de infantário, repara!), estamos conversadas, mas não são essas que têm trazido o meu filho e os de tantas outras mães para casa, talvez até o teu! Quanto às restantes maleitas, pergunto-te: quando fazes essa afirmação, estás a citar, a inferir ou a extrapolar? São palavras da autora, ipsis verbis? Se são, vais desculpar-me, mas gostaria que as reproduzisses entre aspas, como mandam as mais elementares regras da citação bibliográfica, já para não falar do que dita a honestidade intelectual.

Quanto ao poder de aceleração da cura por meio do leite materno, não te dês ao trabalho de esgravatar, porque as mães que já se serviram do seu próprio leite com este fim vão achar o esforço absurdo. Ou achas que há algum estudo que possa desmentir, por exemplo, que curei uma conjuntivite GRAVÍSSIMA no meu filho, com o meu próprio leite espirrado nos seus olhos, depois de me ter cansado de assistir ao total fracasso de 3 antibióticos tópicos seguidos? Eu disse 3, todos diferentes!!!! É que há teimas em que a experiência não constitui meio de prova, mas outras...

Quanto à tua última observação:

«Quanto a outra questão que foi levantada antes por causa dos potenciais sentimentos de culpa das mães que não amamentaram, confesso que não estou muito preocupada» - Foi assim que te ensinaram a actuar enquanto "Conselheira de Amamentação"???!!! «Doa a quem doer»??!! Olha, só posso relevar a tua afirmação considerando que, muito provavelmente, não tens a mais pálida ideia do que dói! Eu já fui, em tempos, uma mãe que não amamentou, sabes? Deverei considerar-me particularmente afortunada, pelo que vejo... Topei sempre com as pessoas certas, na hora certa...

Agora só um aparte: Notei-te amarga, nesta tua resposta, sobretudo no final... Não combina com a causa que defendes... Leite de mãe é melhor que mel, muito mais doce, se é que me entendes... mas esta parte os livros e a ciência não explicam...


Editado pela última vez por Sílvia em Seg Mar 16, 2009 9:26 pm, num total de 2 vezes
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hecep



Registo: 26 Mar 2008
Mensagens: 58

MensagemColocada: Seg Mar 16, 2009 7:53 pm    Assunto: Responder com Citação

A minha experiência é que é fácil as pessoas se desentenderem nos fóruns pois não é possível ver as expressões faciais umas das outras nem ouvir o tom de voz quando se afirmam as coisas. Por isso vou-te enviar PM.
Em relação às doenças infantis de creche então concretamente o que são essas febres que o teu filhote tem apanhado? que tipo de doenças ele tem?
Tive a ler o que pude dos artigos que indicaste e não contradiz o que eu disse da mesma forma como o J. Riordan penso que devemos estar a interpretar os dados de forma diferente.
Em relação às mães que não amamentam, haja paz e amor, não ataco ninguém. A questão é que se me perguntarem directamente ou se o assunto vier à baila não vou dizer que o leite de fórmula é igualzinho ao materno só para não ferir os sentimentos de ninguém. Os factos são os factos. Se sentir que estão a atacar o facto de eu ou outras mães amamentar-mos então realmente a coisa pode descambar mais. Se uma mãe queria amamentar e por alguma razão não pode até compreendo que precise de apoio e claro que o dou. Mas não é o caso da maior parte das pessoas que conheço, não amamentaram porque sim e como isso é o normal cá, estão perfeitamente aceites e integradas de forma social, não estou a ver que precisem de apoio nenhum. É uma escolha pessoal delas que eu respeito, peço é que respeitem as minhas escolhas também (o que nem sempre acontece).
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