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Banhar-se na água morna no período da dilatação é uma possibilidade para testar se as contracções já indicam o início do parto ou se elas são ainda parte das contracções do pré-parto. As contracções são sentidas como nesse momento um elástico estivesse firmemente apertado de baixo da barriga, ao redor da pélvis. Se, após um "banho de teste", no calor relaxante, as contracções pararem, significa que foi tudo um "falso alarme", um falso trabalho de parto, e a parturiente ainda pode dormir algumas horas (as contracções, na maioria das vezes, iniciam-se à noite). A temperatura do banho não deve ser quente demais, devendo estar a cerca de 37ºC. A permanência na água não pode ser muito longa, pois o relaxamento pode tomar-se prejudicial ao coração e circulação e, com isso, tornar-se um esforço e sobrecarga para a mãe e para a criança.
Recomeçando as contracções no banho, então, a musculatura longitudinal do útero começará a contrair-se: a grávida já sentirá leves contracções.
Muitas mulheres ainda estão tão ansiosas que mal as percebem. Caso, além da musculatura longitudinal, a musculatura circular baixa do útero também se contrair, então, essas contracções já serão dolorosas. Durante a gravidez, a musculatura circular é a responsável por manter o colo do útero fechado, apesar do peso do feto. Às vezes, durante as contracções, os dois tecidos musculares trabalham um contra o outro, causando, assim, fortes dores1.
Uma causa desses espasmos é um medo primitivo que toda a parturiente tem de que ocorram perturbações súbitas.
Esse medo deveria originalmente proteger a criança de perigos (por exemplo, de uma fera). Em algumas mulheres, tal medo, talvez, tenha sido reforçado na gravidez por algum exame pré-natal traumático, ou por exames ultra-sonográficos desnecessários, ou por histórias de horror de outras mulheres. Em tal situação, a água morna ajuda muito a mulher a relaxar a musculatura circular do colo do útero, eliminando, com isso, as dores da contracção nesse período inicial da dilatação. Nessa fase do parto, a água morna tem como efeitos principais o relaxamento e a analgesia.
Mas, às vezes, não é possível evitar as dores das contracções na fase de dilatação.
Segundo o psicólogo suíço Rolf Adler2, a dor é induzida por um conjunto de factores psicológicos, sociais e corporais. As dores exercem uma função de alívio (como uma válvula) quando um conflito não é mais suportável. Por isso, o terapeuta da dor, Professor Zimmermann, do Centro da Dor em Heidelberg - Alemanha, antes de tratar as dores, procura, além das causas corporais, também as causas sociais e psicológicas2.
As enfermeiras/parteiras são as que mais se confrontam com o aparecimento de dores através da ligação íntima dos estados social, psicológico e corporal da parturiente. Elas observam cuidadosamente a mulher em trabalho de parto para descobrir quais as situações que colaboram para o aparecimento das extraordinárias dores na contracção.
Mas as enfermeiras/parteiras nem sempre conseguem oferecer opções terapêuticas. Surgem, nessa fase de dilatação, outras complicações médicas, como, por exemplo a hipotensão; então, os participantes devem pensar numa mudança do parto para um local onde haja melhores recursos. Dores de parto intensas, nessa fase, são sinais que possivelmente indicam maiores complicações nas fases seguintes do parto. Entretanto, ainda é um momento em que existe tempo suficiente para uma mudança de local. Após essas contracções na fase inicial da dilatação, em geral, acontece uma pausa. O colo uterino já pode ter dilatado até cinco centímetros. As contracções, agora, são iniciadas pelos impulsos infantis. O efeito da água morna torna-se o inverso. Agora, ela inicia as contracções do útero, em vez de relaxa-lo. Através do banho, estas tornam-se mais rítmicas e também mais intensas. Contudo, existem ainda longos intervalos entre elas, o que permite que a mulher se restabeleça da dor das contracções. Nesse momento, é bom andar para lá e para cá, dentro ou fora da banheira, ou ainda, sentada sobre uma bola de ginástica, movimentar-se, ou então massajar a barriga com um óleo para contracções. Uma mudança frequente das posições evita que um relaxamento profundo cesse todas as contracções. É também muito agradável para a mulher que um óleo seja aplicado em seu corpo para proteger a pele da descamação. Os seios devem, contudo, ser poupados, assim, o recém-nascido pode mamar imediatamente após o parto. Nessa fase, a maioria das mulheres valoriza muito a massagem e o contacto com a pele, pois ambos lhe dão novas forças para o trabalho de parto.
Nessa etapa, as contracções devem pressionar a cabeça fetal da entrada até a metade da bacia3. A entrada da pequena bacia é horizontalmente oval.
Do ponto de vista materno, as costas da criança devem ficar de lado e o rosto virado para o lado contrário introduzindo, assim, a cabeça na entrada da bacia. Se durante as contracções a mãe movimentar a sua bacia em todas as direcções, como na dança do ventre, será mais fácil para a criança deslizar pela cavidade pélvica4. Na posição erecta, a bacia materna tem a maior circunferência possível; assim, se a mãe estiver em pé ou ajoelhada, ela oferecerá muito mais espaço na sua bacia para a criança. Nessa fase da dilatação, o ideal é que o nível da água seja de, no mínimo, 50 centímetros, para que a barriga da mulher fique coberta pela água. Para recuperar-se durante as pausas das contracções nessa fase de dilatação, ela pode, por exemplo, deitar-se de costas e deixar-se balançar nos braços do parceiro. As orelhas devem ficar sob a água para abafar os ruídos, quer ela esteja de joelhos ou de cócoras. Essa forma de relaxamento intensifica a concentração no próprio corpo e facilita o acumular de energia para a próxima contracção. Em algumas mulheres, os intervalos das contracções podem ser tão longos que elas precisem caminhar mais uma vez fora da banheira para reactivá-las. Isso pode ser feito em casa, bastando que ela suba escadas ou caminhe no jardim, pelo bosque ou pelo parque. O ar fresco é rico em oxigénio e ajuda a reactivar as contracções.

O útero é constituído por fibras musculares organizadas na forma de espirais, cuja parte superior se desenvolve durante a gravidez na forma de treliças. A musculatura circular da parte inferior permanece inalterada.
Referências:
1) Dick Read: Mutter werden olme Scrunerz, Hamburg, 1950.
2) TV-Reportage in dem Magazin, "Format NNZ" (Neue Zurcher Zeitung), .VOX 15/4/1995.
3) J.G.B.Russell: The Rationale of Primitive Delivery Positions, British Joumal of Obstretics and Gynaecology, Bd. 89, 1982, s.712-715
4) Wendy Buonaventura: Bauchtanz, die Schlange und die Sphinx, MUnchen, 1984.
5) Michel Odent: Geburt und Stillen, Munchen,1994.
6) Jessica Jolmson, Michel Odent: Weare Ali Waterbabies, Madrid, 1994.
7) Ferdinand Liskow: Frauenkrankheiten, Die Anwendung des Naturheilverfahrens wahrend der Schwangerschaft, bei und nach der Entbindung, Bilz-Naturheilanstalt, Wien, 1898.
8) Roger Lichy, Eileen Herzberg: The Waterbirth Handbook, Bath, 1993, S. 189.
9) Maggie Tisserand: Die Geheimnisse wohlriechender Essenzen, Aitrang, 1985.
Fonte:
ENNING, Cornelia, AQUA-MIDWIFERY & AQUA-OBSTETRICS, Capítulo 8, Stuttgart, 2003
Tradução para o Inglês: C. Enning, Aquamidwifery Practise Muehlacker, Germany, www.hebinfo.de
Revisão do texto para o Português: BioNascimento, Portugal
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