arrow Home arrow Testemunhos arrow O nascimento da Sofia...mãe Flávia (Brasil) Quarta, 08 Setembro 2010  






 
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O nascimento da Sofia...mãe Flávia (Brasil) PDF Imprimir E-mail
Image A gestação foi muito tranquila, apesar de eu ter que entrar em repouso recomendado pelo médico lá pela 28ª semana, afastada de minha função de Coordenação na escola em que trabalhava e que já não me dava tanto
prazer em desempenhar...

Não engordei muito, apenas 9 kg ao todo na gestação, que depois do afastamento foi bem aproveitada. Li vários livros, pesquisei nos sites pela Internet tudo que poderia ser-me útil no momento do parto.

Não posso deixar de mencionar que preparei-me também um pouco fisicamente, com exercícios de Ioga para gestantes, em virtude de ter sido sempre, durante vários anos até momentos antes da gravidez, uma pessoa muito activa fisicamente, envolvida com actividades físicas regulares avançadas (spinning, cama elástica, corrida e pilates).

Tudo isso e mais a ajuda de meu médico através de suas palestras e cursos para casais “grávidos” que eu e meu marido frequentámos, trouxeram a mim segurança e tranquilidade para desempenhar minha parte na hora do trabalho de parto, que se iniciou em uma quarta-feira muito quente do verão brasileiro...

Havia acordado, naquele dia 9 de Março pp, me sentindo muito cansada e indisposta, atribuindo ao calor meu desconforto físico. Não pensei que pudesse estar próxima a minha hora, porque há dois dias eu havia estado com meu médico, que depois de examinar-me, estipulara ainda mais uma semana de gestação, dado que meu colo do útero estava bem fechado e a neném ainda não se encontrava na posição de nascimento ou “encaixada”.

À noite, quando meu marido chegou do trabalho, por volta das 19 horas, eu já estava sentindo algumas “cãibras” regulares, quase indolores como cólicas menstruais. Saímos para jantar uma comida leve, porque eu não havia comido nada o dia inteiro e estava ansiando por um copo grande de Coca-Cola bem gelada.

Uma vez no restaurante, minhas “cãibras” eram frequentes, e eu decidi ir ao WC por duas vezes para verificar se havia algum sinal de tampão...Nada!

Voltamos para casa por volta das 22 horas e minhas “cãibras” estavam lá, insistentes...Resolvemos assistir a um filme no DVD, para fazer hora e suportar o calor, que estava grande, e ver se eu melhorava um pouco, me distraindo...

Por volta da meia-noite fomos dormir e eu sentindo essas tais “cãibras” aumentarem em intensidade e regularidade.

Resolvemos contar o espaçamento entre elas, ambos achando que eram as tais “falsas contracções” que havíamos lido nos livros...Não havia sinal de bolsa rota ou tampão despregado, nada “regular” que nos indicasse um efectivo trabalho de parto. Não dormimos nesse empenho de checar a regularidade das “cãibras”, que variava muito: de 8 em 8 minutos, depois de 12 em 12, para voltar para 8 em 8, indo parar de 3 em 3, para voltar então para 8 em 8 minutos...foi grande a variação de tempo entre as contracções, que nos assegurava a possibilidade de eu estar passando pelas tais “falsas contracções”.

Por volta das 6 e meia da manhã do dia 10 de Março, meu marido Victor resolveu ligar para o Dr. Adailton, informando-lhe do que acontecia...Minhas contracções estavam bem mais fortes e eu já começava a gritar pela dor, que não era horrível, mas que parecia querer me “abrir” ao meio...Estávamos ficando preocupados, porque achamos que meu trabalho de parto poderia estar se iniciando naquele momento, embora minha barriga não estivesse “baixa”, eu não tinha visto o tampão sair, muito menos minha bolsa romper. Marcamos para as 7 e meia uma checagem no consultório do Dr. Adailton.

O trajecto até lá foi bem ruim para mim, que estava sentindo dores bem fortes, e já gritava pela janela do carro durante todo o percurso, para tentar aliviar aquela pressão que parecia me partir ao meio.

Chegando lá, esperamos um bocadinho e o Dr. logo apareceu, e eu fui logo comentando com ele, ainda no portão da clínica, que estava achando estranho, porque sentia, junto com a pressão das “cólicas”, uma vontade enorme de fazer “cocó”...Ele apressou-nos a entrar.

Feito o exame, o Dr. Adailton nos diz, para a nossa surpresa: “vamos correr, porque você está com 9 cm de dilatação e pode nascer no carro! parabéns, mamãe, sua filha está chegando!!!”

Eu não acreditei!!!Olhava para ele como se estivesse num sonho...Ele me ajudava a me vestir, enquanto eu pensava: “E eu, que achava que estava sendo muito “mole” por estar já gritando com aquelas “cãibras” à toa...” Porque, pensava eu, quando chegarem as contracções “de verdade” eu iria desmaiar... Mal sabia que aquelas JÁ ERAM as benditas contracções e que eu passara já por tudo que nos diziam ser o “pior” do trabalho de parto, em casa, tranquilamente...

Saímos literalmente correndo em direcção à Maternidade de Campinas, minhas contracções doendo horrores, principalmente porque eu já sabia que eram MESMO contracções BEM VERDADEIRAS...Antes de o sabê-lo, elas até eram bastante suportáveis, embora um pouco doloridas...(bendita “ignorância”...).

Na Maternidade, pedi ajuda na recepção por estar em trabalho de parto, e o Dr. Adailton chegou em seguida, me ajudando a subir numa cadeira de rodas, me empurrando até o elevador para irmos até o segundo andar, onde se davam os partos...O Victor foi connosco, mas chegando lá, o Dr. o dispensou para que ele descesse até o térreo, onde era esperado para que acertasse o nosso internamento e todas essas questões financeiras e burocráticas que adoram atrapalhar as nossas vidas, inevitavelmente...

Ao me levantar da cadeira de rodas, já no corredor em frente à sala de parto, senti algo gelatinoso e quente escorrendo-me pelas pernas e avisei ao Dr. Adailton, que me respondeu: “então vamos correr, porque é o seu tampão...vamos já tirando a roupa!”

Que cena engraçada: eu fui tirando a roupa no corredor do hospital e fui caminhando nua até à mesa de parto, para o espanto de todas as enfermeiras que me observavam surpresíssimas...Uma vez lá, subi à mesa rapidamente, sem pisar na escadinha que havia...E aí, tudo chega às vias de fato...

Realmente, a posição deitada para o parto é insuportável, e o Dr. Adailton logo me ajudou a ficar de pé, em cima da mesa de parto, e posicionou sob meu quadril o famoso “banquinho” que é usado para o parto de cócoras...Não me adaptei! Preferi ficar em pé, com as pernas meio flexionadas para que a Sofia nascesse, fazendo força como se estivesse me “pendurando” no apoio que havia na cama.

Acho que fiz força três vezes e minha filha nasceu, rompendo um pouco a saída do meu canal vaginal. Eu gritava alto, mais para “pegar o embalo” e fazer aquela força...Há momentos, entre os períodos de força, em que eu até perdi a noção das coisas e falei várias bobagens engraçadas para o D. Adailton, coitado...O Medo é maior do que a dor, e nos embota os pensamentos, mas eu também gosto de uma piadinha para relaxar a tensão!!!

Senti que quando a bebê passou, ardeu um pouco, mas alguma dor mesmo, fui só sentir quando rasgou um pouco minha pele, porque as contracções pareceram-me apenas uma força forte de expulsão, na verdade...A mim não doeram tanto quanto diziam...

PRONTO!

Sofia nasceu e veio logo para os meus braços, já querendo mamar, a danadinha!!!Que presente, meu Deus! Perfeitinha, pequenina, linda linda...Eu nem acreditava, tudo parecia um sonho...

Quando meu marido chegou, 12 minutos depois, a Sofia já estava nas mãos do Dr. Adailton...Da nossa tranquila preparação para aquele momento (colchão para fazer Ioga durante as contracções, música para relaxar, livro para ler, câmara para filmar o parto, etc etc etc) não usamos nada, porque foi tudo muito rápido e o Victor chegou na sala já no momento de cortar o cordão, e dar o primeiro banho na bebé no especialíssimo “baldinho” (que devia mudar de nome...), que parece mesmo uma “bênção” , pela sua acção tranquilizadora nos bebés...É mesmo incrível.

Acredito que meu parto foi tão lindo e tranquilo (que foi aplaudido, literalmente, pelas enfermeiras que o assistiam lá de fora da sala, tal a sua rapidez e tranquilidade...) pelo fato de o nosso médico nos ter dado tanta autonomia e independência durante a gravidez...O Dr. Adailton faz diferença, porque ele sabe e nos faz acreditar que nós, mulheres, somos totalmente capazes de gerirmos o próprio trabalho de parto da forma que nos sentirmos melhor, contando com sua confiança de médico e apoio moral...E desprezarmos as opiniões alheias, leigas, que só
atrapalham!!!

Somos eternamente agradecidos a ele por tudo. Especialmente pela força que me deu, para que eu confiasse mais em mim mesma sempre, em todos os momentos da vida...

Testemunho da Flávia Criss (Brasil)
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