Eu queria mesmo era fazer meu pré-natal e parto com um médico que respeitasse meu tempo, meus desejos e que fizesse o parto na minha casa... no entanto um médico assim só particular, então teríamos que pagar as consultas e o parto. Como o Edson (meu marido) não tinha a confiança suficiente num parto domiciliar, ele tentava me convencer de que seria loucura gastarmos dinheiro com isso, se podíamos utilizar o médico do convênio.
Independente da confusão de qual médico escolher... com 5 semanas de gravidez comecei a fazer Yoga com a Fadynha e uma coisa era certa... queria ela como doula do meu parto, independente do médico.
A Yoga foi a melhor coisa que eu poderia ter feito... me deixou mais confiante, me ensinou muitas coisas, ajudando na minha preparação física e psicológica para o parto.
Independente da confusão de qual médico escolher... com 5 semanas de gravidez comecei a fazer Yoga com a Fadynha e uma coisa era certa... queria ela como doula do meu parto, independente do médico. A Yoga foi a melhor coisa que eu poderia ter feito... me deixou mais confiante, me ensinou muitas coisas, ajudando na minha preparação física e psicológica para o parto.
Independente da confusão de qual médico escolher... com 5 semanas de gravidez comecei a fazer Yoga com a Fadynha e uma coisa era certa... queria ela como doula do meu parto, independente do médico. A Yoga foi a melhor coisa que eu poderia ter feito... me deixou mais confiante, me ensinou muitas coisas, ajudando na minha preparação física e psicológica para o parto.
Com 13 semanas, convenci o Edson a irmos a primeira consulta com o Dr. Francisco Villela (o médico ideal para mim)... de cara amei e passei a ficar mais com o pé atrás em relação ao outro médico. Descobrimos o quanto ele cobraria pelo parto... o que realmente me surpreendeu, pois achei que seria mais caro... mas mesmo assim o Edson ainda insistiu em continuarmos com o outro médico. Ficamos nesse chove não molha durante meses...
Levei o pré-natal intercalando as consultas entre os dois médicos... hora decidíamos por um, hora por outro... mas graças a Deus minha gravidez transcorria maravilhosa, sem nenhum problema... engordei somente 5Kg, minha pressão se manteve ótima, não tive dores nas costas, nem inchaços, nem nada, além de enjoo e azia... e uma pontinha de frustração pela minha barriga ser tão pequena, que beirando os 9 meses de gravidez fui barrada na fila de gestantes do bradesco! HERG!!!
Enfim... com 34 semanas, resolvi radicalizar... cheguei pro Edson e disse... não gosto do médico do nosso convênio... vamos mudar definitivamente para o Dr. Francisco e eu abro mão de fazermos o parto em casa... faremos na Perinatal! Como eu desconfiava, o parto domiciliar era o problema, e não o dinheiro ou qualquer bobagem parecida... então graças a Deus (novamente) ele concordou e mudamos definitivamente para o Dr. Francisco!!!
Bom, dia 12/06/2003 completei 38 semanas... a expectativa aumentou e felizmente minha mãe chegou de São Paulo para passar 45 dias comigo, o que me deixou muito mais calma...
Eu não sentia nada físico, mas tinha uma intuição de que a Natália chegaria logo, apostava que seria até aquele domingo (15/06)... Fora isso, estava com uma síndrome de arrumação terrível... arrumei 2 armários da casa que estavam para ser arrumados a mais de um ano, entre outras coisas... Isso me fazia acreditar ainda mais na minha intuição... minha filhota estava chegando e eu estava arrumando o ninho para recebê-la!!!
Dito e feito: segunda feira (16/06/2003) a 1:20h da madrugada, minha bolsa estourou...
Acordei meio assustada, corri para banheiro para tentar ter certeza do que estava acontecendo antes de acordar o Edson. Chegando no banheiro confirmei a suspeita e resolvi chamá-lo... Me troquei e sentei na cama, esperando que alguma coisa diferente acontecesse... e dali 15 minutos comecei a sentir contrações... nada mais do que leves cólicas (muito leve perto das minhas cólicas menstruais)... então começamos a cronometrar os intervalos e durações, e acordamos minha mãe que dormia na sala!
Esse negócio de intervalos e durações me estressou um pouco, fiquei meio apreensiva se estavamos medindo certo, se era aquilo mesmo... já que concluímos que as contrações estavam vindo de 7 em 7 minutos com duração de aproximadamente 1 minuto!!
Resolvi tentar relaxar um pouco deitada na cama, mas foi bem difícil, já que nesse momento senti um pouco de medo do que aconteceria depois e também porque o Edson e minha mãe tomaram banho e se colocaram prontos para ir para a Perinatal, e o pior, minha mãe começou a lavar um resto de roupinhas da Nat que faltavam ser lavadas!!! O Edson já foi para o computador mandar e-mail para o pessoal do trabalho avisando do acontecido, desmarcar reuniões e coisas do tipo!!! Mas enfim... me concentrei em mim e na minha filha... fiz uma oração... expliquei para a Natália o que estava acontecendo... que a hora de ela vir ao mundo havia chegado e que nós duas deveriamos fazer cada uma a sua parte!
As 4:15h verificamos que as contrações estavam de 5 em 5 minutos e durando 1:30 minutos, mas continuavam super leves em termos de dor e eu ria da cara de desespero do Edson... hehehehe... então ligamos para o Dr. Francisco... que nos mandou ir para a Perinatal... então me troquei, pegamos um taxi e chegamos lá as 4:45h... demos entrada e fomos para o quarto!
Dr. Francisco chegou ali pelas 05:40 ... me examinou, ouviu a Natália (155 batimentos por minuto – ótimo!) e fez um toque... 3 cm de dilatação e colo um pouco grosso! Como o TP estava muito no início ele resolveu ir atender sua 1ª paciente no consultório e ficamos em contato por telefone.
A Fadynha chegou, ficamos conversando e rindo... eu estava bem, mas um pouco frustrada pela falta de ritmo das contrações... a Fadynha falava que era normal, era devido a chegada ao hospital, que eu tinha que me ambientar primeiro, mas que elas viriam! Continuamos os exercícios, a conversa, a Fadynha aplicou uma moxa e a cada contração eu me acocorava para auxíliar a descida do bebe!
Dito e feito de novo... entre 9 e 10 horas da manhã... minhas contrações não só haviam se regularizado como já estavam de 2 em 2 minutos com duração de 1 minuto.
Ligamos para o Dr. Francisco, que pediu que eu deitasse um pouco para que desse tempo de ele voltar a Perinatal antes que o processo avançasse demais. Deitei... frustação novamente... as contrações cessaram como num passe de mágica. Ele chegou, me examinou novamente... 6 cm de dilatação e colo apagado, escutou a Nat que estava muito bem, mas nada de contrações.
Então, levantei da cama e reiniciei os exercícios, caminhava em círculos pelo quarto minúsculo e me acocorava nas pouquíssimas contrações que ocorriam.
A Fadynha resolveu fazer um outra moxa, e me disse para estimular meus mamílos, com o objetivo de ativar novamente as contrações!!! Lá ficamos... moxa, conversa, riso, poses para fotos... passada mais ou menos 1 hora... de repente o negócio estourou, voltamos ao ritmo de 2 em 2 minutos com duração de 1 minuto.
Fui, então para o chuveiro, por sinal horrível já que a água não era quente o suficiente, mas foi bom, dei uma relaxada... continuava me acocorando nas contrações e nos intervalos intercalava em ficar quietinha, ou fazendo exercício de rotação pélvica para ajudar a descida... Importante dizer que a “dor” era totalmente suportável... era cansativo, mas dava para levar sem problemas.
Enquanto isso, Dr. Francisco foi providenciar a preparação da sala de pré-parto especial (onde existe uma cadeira de parto de cócoras e uma banheira)...
Depois de uns 40 minutos de banho, saí e aguardamos a liberação da sala!
A uma da tarde, fomos para a tal sala especial... me decepcionei quando cheguei lá (não havia sido possível conhecer, quando visitei a maternidade)... era um quarto normal, com uma cama normal e com um micro banheiro onde num canto estava também uma micro banheira... hehehe... Mas enfim, não me estressei...
A Fadynha logo colocou um cobertor no chão e lá fiquei ajoelhada ou deitada sobre as pernas, enquanto ela aplicava uma massagem com óleo de arnica ou Tei-fur (não sei o certo) na minha lombar, o que era ótimo!
Nisso, as contrações pareciam estar mais fortes, mas não em termos de dor, era uma sensação estranha, que infelizmente não sei descrever... então falei para o Edson chamar o Dr. Francisco, que aguardava na sala dos médicos... Ele chegou, escutou a Nat... tudo ok... e fez outro toque... 9 cm de dilatação... e ele disse que poderia ir para a banheira se quizesse!
Detalhe a parte... não tem coisa mais terrível que esse exame de toque... isso sim que doi, não as contrações! Mas graças a Deus foram só esses três!
Resolvi ir para a banheira... que maravilha... a água é a melhor coisa que podia existir nesse momento... com a hidromassagem, então... muito relaxante e gostoso...
A sensação estranha se intensificava... era o expulsivo chegando, com a vontade de empurrar inexplicável... que coisa estranha que é essa tal “vontade de empurrar”... durante 9 meses me questionei de o que seria isso... e tendo passado por ela... continuo sem saber!!! Mas de uma coisa eu sei e me lembro muito bem... que nessa hora me senti muito feliz, pois tudo estava indo bem e logo teria minha filhota nos meus braços!!!
Foram mais ou menos 40 minutos de expulsivo... o grande problema era o tamanho da banheira... Eu, com meu 1,79m de altura tinha uma dificuldade imensa de me ajeitar de cócoras naquela banheira e numa posição em que o Dr. Francisco tivesse acesso para amparar o bebe...
Mas também não me afligi com isso... mudava de posição, pra lá e prá cá... de lado, na transversal... a Fadynha “empuleirada” num espaço microscópico atrás de mim... me segurava durante as contrações, cantava mantras, enxugava meu rosto, me insentivava! Também ouvi algumas vezes o Edson me incentivando apesar de não saber direito de onde ele falava...
Essa hora é bem difícil de descrever... a sensação é de estar fora do corpo... eu ouvia as conversas... as vezes até queria dar algum palpite, mas também não conseguia falar... é muito estranho!
Neste momento, meu sonho de adolescente, de ter um parto na água, estava se realizando... não me importava a dor na perna, nem o cansaço, nem o calor...
Toquei o cantinho da cabeça da Natália, quando ela ainda estava acho que 1 cm (mais ou menos) dentro de mim... Naquele episódio do “História de um bebe” que citei lá no começo, a mãe também acariciava a cabeça do nenem ainda dentro dela... isso era também um dos meus sonhos... maravilhoso poder tocar o bebe ainda dentro de mim! É como se tivesse acesso ao mundo misterioso daqueles 9 meses de gravidez!!
As últimas contrações foram bem difíceis, estava cansada e queria ver logo a carinha da Nat. Eu ouvia as falas do Edson, Fadynha e Dr. Francisco, que me incentivavam e eu fazia força e mais força...
De repente, senti ela sair de mim... pluft saiu... de uma só vez... muito rápido...
Suavemente o Dr. Francisco trouxe ela para a superfície, mas sem tirar o corpinho da água, só tirou a cabecinha, e me deu... fiquei segurando aquela cabecinha miudinha, toda branquinha de vérnix (e quanto vérnix) aos prantos... um choro tão estranho quanto o período expulsivo... não sairam lágrimas, mas com certeza foi o choro mais emocionado da minha vida até agora!
Fiquei com ela nos meus braços por quase uma hora... conversava... acariciava a cabecinha, a carinha... só não dava para ver o resto do corpinho... pois colocaram um pano para ajudar no aquecimento.
Não sei quanto tempo depois, Dr. Francisco arrumou tudo para que o Edson cortasse o cordão umbilical.
Tentei colocar a Natália no peito para mamar, mas ela não conseguiu pegar, pois meu bico é plano e estava molhado... ela queria, mas não conseguiu... coitadinha! Mas ficamos ali, ela me olhava com aquela carinha linda, como se conseguisse me ver perfeitamente...
Então era a hora da primeira separação... a Natália foi com o pai e a pediatra para o berçário, para ser pesada, medida e vestida... lindíssima... 2,925 Kg e 47 cm....
Eu permaneci na sala, para a sutura de algumas lacerações do meu períneo... foram alguns pontos... mas aquele tempo me pareceu uma eternidade absurda... queria ir logo embora dali, pegar minha princesinha no colo... olhar para ela direito... ver cada pedacinho dela!
A Natália não passou por nenhum procedimento de rotina!
Então, finalmente fui para o quarto e lá encontrei o Edson e minha filhota todinha vestida de branco me esperando!
Considerações importantes:
· As pessoas falam tanto sobre a “dor do parto”, mas eu acho que ela não existe... o que eu senti não foi dor... foi muito mais uma sensação de plenitude, de “domínio” do meu corpo. Mas também acho que isso só foi possível devido a minha preparação psicológica para o parto, ou seja, pelo fato de eu ter estudado muito, saber pelo menos na teoria todo o processo, todas as fases pelas quais iriamos passar, e assim estar segura com tudo.
· Eu ouso dizer que não senti dor durante o parto... Dor mesmo eu senti no primeiro dia de cólicas fortes da Natália, quando eu estava de mãos atadas vendo minha filha se esguelando... isso sim foi dor!!!!
· A participação da Fadynha foi imprescindível para eu conseguir tudo isso, pelo apoio físico e emocional. Eu acho que todas as mulheres deveriam ter acesso a uma doula, pois neste caso acredito que menos pessoas optariam por uma cesárea eletiva.